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domingo, 4 de outubro de 2026

Francisco Alves Taveira: O Abade de Gouvães e as origens em São Cristóvão do Douro (Finais do Século XVII – Inícios do Século XVIII)

Por entre os vales escarpados do Pinhão e as encostas de São Cristóvão do Douro, a transição do século XVII para o século XVIII assistiu à afirmação de famílias locais que ajudaram a moldar o perfil social, eclesiástico e patrimonial da região. Uma das figuras mais singulares desse período foi o Padre Francisco Alves Taveira, eternizado na memória regional como o Abade de Gouvães. Sacerdote, proprietário e figura de relevo social, Francisco Alves Taveira encarna a ligação profunda entre três espaços fundamentais da geografia duriense: a sua terra natal de São Cristóvão do Douro, a paróquia vizinha de Gouvães do Douro e as encostas vinhateiras do vale do Pinhão.

As origens do Abade

A reconstituição genealógica, assente nas diligências do Santo Ofício de 1721 e na documentação paroquial de São Cristóvão do Douro, revela que o abade era filho legítimo de Manuel Taveira de Carvalho e de Maria Ribeira(o). Por via paterna, descendia de Pedro Taveira e Antónia de Carvalho (com raízes em Provesende); por via materna, era neto de António Álvares e Maria Ribeira(o).

Traspassando a condição rural da aldeia, a família reuniu património suficiente para proporcionar aos seus descendentes carreiras de relevo. Enquanto Francisco seguiu a vocação sacerdotal, com dote de património eclesiástico constituído por sua mãe após enviuvar (Processo de habilitação patrimonial de Francisco Álvares [Alves] Taveira para abade da freguesia de Gouvães em 2 de março de 1715), o seu irmão Matias Álvares Ribeiro enveredou pela vida militar, alcançando o posto de Capitão e fixando-se na Quinta do Reimão, no Porto (onde a sua filha, D. Maria Barbosa Pereira Taveira, viria a casar com o Senhor do Morgado da Venda do Campo).

No Douro, a presença da família perpetuou-se através dos restantes irmãos identificados na documentação da época: Domingos Taveira e a sua mulher, Maria Botelha, fixaram-se em São Cristóvão do Douro como figuras de destaque na vida comunitária local, onde surgem frequentemente como padrinhos de batismo nos registos do Arquivo Distrital de Vila Real. As suas filhas, Bernarda Caetana e Quitéria, continuaram essa proximidade paroquial, convivendo e apadrinhando ao lado do próprio tio abade; as irmãs Catarina Taveira e Maria Taveira estabeleceram-se na freguesia vizinha de Casal de Loivos ao casarem, respetivamente, com Bernardo Gonçalves e Domingos Pereira.

O facto de o Capitão Matias não figurar na partilha do dote e de a documentação paroquial anterior a 1722 apresentar lacunas mostra claramente que as fontes disponíveis não esgotam a reconstituição familiar, podendo ter existido outros filhos do casal Manuel Taveira e Maria Ribeira ainda por identificar.

A carreira eclesiástica e o Abadado de Gouvães

Após a sua ordenação sacerdotal, Francisco Alves Taveira assumiu o sacerdócio e viria a ser provido na abadia de Santa Maria de Gouvães do Douro, título do qual deriva a designação pela qual ficou conhecido.

A sua atividade pastoral em Gouvães encontra-se solidamente documentada ao longo de mais de três décadas. No Arquivo Distrital de Braga, regista-se uma provisão a seu favor datada de 27 de dezembro de 1732. Mais tarde, no registo de casamentos do Arquivo Distrital de Vila Real, referente a outubro de 1738 (PT-ADVRL-PRQ-PSBR03-002-030_m0035), confirma-se a sua contínua atividade à frente da paróquia: após feitas as denúncias conforme o Sagrado Concílio Tridentino, o "reverendo Abade Francisco Alvares Taveira" celebrou o matrimónio de Tomás de Barros e Luíza Pereira na freguesia de Nossa Senhora dos Anjos de Gouvães, onde assina o respetivo termo. A sua atividade estende-se comprovadamente até abril de 1753, altura em que ainda celebra batismos na região na qualidade de abade.

Apesar de exercer o seu ministério em Gouvães, manteve sempre uma ligação umbilical e ativa à sua freguesia natal. A prová-lo estão diversos assentos de batismo preservados nos livros paroquiais de São Cristóvão do Douro: A 14 de maio de 1723, surge como padrinho da recém-nascida Catarina, assinando como "reverendo Francisco Alvares Taveira Abade de Santa Maria dos Anjos de Goivanis [Gouvães]"; em setembro de 1738 e fevereiro de 1742, celebra batismos na igreja de São Cristóvão por ausência do pároco local; em setembro de 1752, passa licença a outro sacerdote por se encontrar temporariamente impedido; em abril de 1753, batiza solenemente um filho de assistentes galegos na freguesia.

Património vinhateiro e as origens da Quinta do Noval

A relevância histórica de Francisco Alves Taveira ultrapassa a esfera religiosa. Numa época em que a viticultura duriense se preparava para a grande expansão do século XVIII, que culminaria na Demarcação Pombalina de 1756, o Abade de Gouvães era também um expressivo proprietário agrícola. Investigações sobre a história fundiária do Douro revelam que uma das vinhas primordiais que viria a integrar a emblemática Quinta do Noval, na margem esquerda do rio Pinhão, pertencia precisamente a Francisco Alves Taveira. A expansão da Quinta do Noval deu-se através do emparcelamento e aquisição de pequenas propriedades de excelência, estando a vinha do abade entre os núcleos fundadores que deram origem a uma das mais famosas propriedades vinhateiras do mundo [1]. O facto de um clérigo natural de São Cristóvão deter parcelas tão valiosas no vale do Pinhão evidencia o papel ativo que as elites locais desempenharam na estruturação da paisagem agrícola duriense.

Uma herança viva na memória de São Cristóvão do Douro

A reconstituição da vida do Padre Francisco Alves Taveira e da sua família devolve a São Cristóvão do Douro uma das suas páginas mais ricas do período barroco. Mais do que o abade de uma freguesia vizinha, foi um filho da terra que alcançou prestígio no seio da Igreja, projetou a sua família e deixou o seu nome gravado nas origens da história vinhateira do Douro. É precisamente neste núcleo familiar do início do século XVIII que reside a origem da família Taveira em São Cristóvão do Douro. Foi a partir dos irmãos que aqui permaneceram que o apelido se transmitiu de geração em geração, e que será o berço provável dos vários ramos do apelido Taveira que se mantêm na aldeia.

[1] 7 UM-Arquivo Distrital de Braga – Fundo Mitra Arquiepiscopal de Braga, Patrimónios Eclesiásticos – Proc.º 8902, fls. 10-14

Imagem criada por IA

domingo, 3 de dezembro de 2023

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Trilho Torgueano de Provesende - S. Cristóvão do Douro - Pinhão

O Trilho Torgueano de Provesende-S. Cristóvão do Douro-Pinhão situa-se no nordeste de Portugal, na região do Douro (concelho de Sabrosa). Este trilho tem uma distância de 5 km, com uma duração média de 1 hora e 30 minutos. Têm início no largo da igreja de Provesende, com passagem pela Quinta do Junco e pela aldeia de São Cristóvão do Douro e termina na vila do Pinhão.

domingo, 8 de novembro de 2009

São Cristóvão do Douro


São Cristóvão do Douro é freguesia do concelho de Sabrosa (distrito de Vila Real). Em 2006, a freguesia contava com 196 habitantes.
São Cristóvão do Douro é uma aldeia tipicamente vinhateira. Integrada na Região Demarcada do Douro, possui uma enorme riqueza vitivinícola, onde se destacam as vinhas construídas em terraços murados, os inúmeros lagares e armazéns de vinho e o excelente vinho do Porto que se produz nas suas terras.
Em 2001, as paisagens do Alto Douro Vinhateiro, nas quais se inclui a paisagem da freguesia de São Cristóvão do Douro, foram elevadas pela UNESCO a Património Mundial da Humanidade, na categoria de Paisagem Cultural.

sábado, 11 de julho de 2009

Moinho das Poldras - São Cristóvão do Douro


O Moinho das Poldras fica situado na margem direita do rio Pinhão, na freguesia de São Cristóvão do Douro (Concelho de Sabrosa). Este moinho esteve a trabalhar até a década de 70 do século XX, onde trabalhou lá pela última vez Joaquim Amaral, um dos últimos moleiros da região ainda vivo. Este moinho é actualmente propriedade de Henrique Franco.
O nome do moinho deriva de no local existirem umas pedras em xisto e em granito espetadas sobre o rio e que serviam de passagem entre as margens, as quais se chamam de poldras. Na parte central do rio estas pedras já não são visíveis pois foram arrastadas por uma grande cheia no princípio do século XX.
Têm-se acesso a este moinho por uma estrada de terra batida a partir da freguesia. O local é frequentado para piqueniques e acampamentos.

The Poldras Mill (Moinho das Poldras) is located on the right bank of the Pinhão River, in the parish of São Cristóvão do Douro (Municipality of Sabrosa). This mill was operational until the 1970s, where Joaquim Amaral, one of the region's last living millers, worked for the final time. The mill is currently owned by Henrique Franco.

The mill's name derives from the presence of schist and granite stones set into the river that served as a crossing between the banks, known locally as poldras (stepping stones). In the central part of the river, these stones are no longer visible, as they were washed away by a major flood in the early 20th century.

The mill can be reached via a dirt road leading from the village. The spot is popular for picnics and camping.