A obra, As Viagens de Gulliver, um romance satírico do Irlandês Jonathan Swift (1726), ficou famosa na astronomia por descrever com precisão as duas luas de Marte (Fobos e Deimos) 151 anos antes de serem descobertas.
Capítulo
III
Um fenómeno explicado pela moderna filosofia e astronomia. Os grandes progressos dos Lapucianos em astronomia. O método do rei na repressão das insurreições.
(…)
Esta pedra-íman está entregue aos
cuidados de determinados astrónomos, que lhe fazem tomar a posição adequada
sempre que o monarca o ordena. Estes sábios passam grande parte da sua vida observando
os corpos celestes, no que são assistidos por óculos muito mais potentes que os
nossos, os maiores dos quais, apesar de não excederem três pés de comprimento,
aumentam muito mais que os nossos de cem, mostrando as estrelas com muito maior
clareza. Tal vantagem deu-lhes considerável avanço no campo das descobertas,
comparado com aos nossos astrónomos na Europa. Realizaram um catálogo de dez
mil estrelas fixas, enquanto os nossos mais extensos não contêm uma terça parte
desse número. De igual modo descobriram duas estrelas menores, ou satélites, girando
em volta de Marte, das quais a interior dista do centro do planeta primários
três dos seus diâmetros e a exterior cinco; a primeira completa o movimento de
translação no espaço de dez horas e a última em vinte e uma e meia, notando-se
deste modo entre elas uma relação, que torna evidente a existência de uma mesma
lei de gravitação, que as governa e influencia, tal como acontece com todos os
outros corpos celestes.
Observaram noventa e três cometas
diferentes, tendo determinado os seus períodos com bastante exatidão. Se é
verdade isto, que afirmam com tal segurança, seria louvável tornarem públicas
as suas observações, para que a teoria dos cometas, que presentemente se
encontra tão imperfeita e defeituosa, viesse a atingir a mesma perfeição dos
outos ramos da astronomia.
(…)
Páginas 183/184
Jonathan Swift – As Viagens de Guliver (versão original: Gulliver’s Travels). Impressão de 2000, Abril Controljornal Edipresse. Biblioteca Visão.
(na versão
original)
CHAPTER III.
A phenomenon solved by modern philosophy and astronomy. The Laputians’ great improvements in the latter. The king’s method of suppressing insurrections.
(…)
This
loadstone is under the care of certain astronomers, who, from time to time,
give it such positions as the monarch directs. They spend the greatest part of
their lives in observing the celestial bodies, which they do by the assistance
of glasses, far excelling ours in goodness. For, although their largest telescopes
do not exceed three feet, they magnify much more than those of a hundred with
us, and show the stars with greater clearness. This advantage has enabled them
to extend their discoveries much further than our astronomers in Europe; for
they have made a catalogue of ten thousand fixed stars, whereas the largest of
ours do not contain above one third part of that number. They have likewise
discovered two lesser stars, or satellites, which revolve about Mars; whereof
the innermost is distant from the centre of the primary planet exactly three of
his diameters, and the outermost, five; the former revolves in the space of ten
hours, and the latter in twenty-one and a half; so that the squares of their
periodical times are very near in the same proportion with the cubes of their
distance from the centre of Mars; which evidently shows them to be governed by
the same law of gravitation that influences the other heavenly bodies.
They
have observed ninety-three different comets, and settled their periods with
great exactness. If this be true (and they affirm it with great confidence) it
is much to be wished, that their observations were made public, whereby the
theory of comets, which at present is very lame and defective, might be brought
to the same perfection with other arts of astronomy.
(…)

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